São Paulo
Paulo de Tarso, o "apóstolo dos gentios" nasceu na cidade de Tarso, em Silícia, entre os anos 15 e 5 a.C. De acordo com os costumes da sua época, tinha dois nomes; Saulo para o mundo judeu e Paulo para o mundo Romano, nome que definitivamente adoptaria quando se converteu ao Cristianismo, especialmente porque Saulo tinha um significado vergonhoso em grego. O jovem Saulo aprendeu a fazer tendas de lona, ou melhor, a fazer a lona das tendas.
Desde jovem tinha sentido a necessidade de se dedicar ao serviço de Deus e por isso se dirigiu a Jerusalém para estudar a religião com os melhores mestres do seu tempo, na escola de Gamaliel. O interesse pelas coisas de Deus fê-lo esquecer-se da busca de uma esposa.
Os judeus encarregaram-no da difícil tarefa de eliminar das suas comunidades a doutrina cristã. Paulo dirigiu então a repressão contra os seguidores de Cristo, fazendo-o de uma forma muito dura.
Até esse momento Paulo sentia-se bem e dava graças a Deus porque o havia feito um crente responsável e consequente com os seus princípios. Mas cedo descobriu que os seus méritos e seus serviços não eram o que contavam para Deus; a sua fé não era mais do que um fanatismo humano e a sua segurança de crente, um orgulho dissimulado. Paulo viu-se a si mesmo um pecador, violento e rebelde mas ao mesmo tempo compreendeu que Deus acolhe, entende, perdoa.
Desta maneira, Paulo descobriu um novo caminho baseado em Cristo, transformando-se num instrumento de propagação da igreja. Foi um grande proclamador da palavra de Cristo, trabalho que realizou visitando inumeras cidades e comunidades, convertendo-se num animador constante das mesmas, através das suas epístolas.
Depois da sua conversão e baptismo, Paulo começou a pregar aos judeus. Retirou-se para a Arábia para meditar sobre as escrituras. Mais tarde foi a Jerusálem visitar Pedro, mas não ficou mais de 15 dias, já corria perigo de vida. Voltou a Tarso, onde ficou cego, mais tarde Barnabé levou-o para Antioquia, onde trabalharam juntos com um apostolado frutífero, sobretudo entre 45 e 57, onde se contam três expedições.
Barnabé e Saulo embarcaram com destino a Chipre, cruzaram a ilha de este a oeste seguindo sem dúvida a costa sul e chegaram a Pafos, residência do pró-cônsul Sérgio Paulo onde uma mudança repentina ocorreu. Depois da conversão do pró-cônsul romano, Saulo, repentinamente convertido em Paulo, é citado por São Lucas antes de Barnabé e assume a liderança da missão que até então vinha sendo exercida por Barnabé. Paulo compreende que a depender Chipre da Síria e Silícia, a ilha inteira seria convertida quando as duas províncias romanas abraçassem a fé de Cristo. Escolheu então a Ásia Menor como campo do seu apostolado e embarcou em Perge de Panfília tendo como destino a colónia romana de Antioquia, onde a estadia foi longa o bastante para que a palavra do Senhor fosse conhecida através de todo país. Mas depois teve de fugir para Icónio, para Listra, para Derbe. Depois de completar seu circuito, os missionários voltaram para visitar os novos cristãos, ordenaram alguns sacerdotes em cada uma das Igrejas fundadas por eles e depois voltaram a Perge e em seguida a Antioquia.
Na segunda missão Paulo escolheu Silas ou Silvano, um cidadão romano como ele e membro influente da Igreja de Jerusalém, e partiu para Antioquia a fim de levar o decreto do conselho apostólico. Os dois missionários foram primerio de Antioquia a Tarso, para promulgar o decreto do primeiro Concílio de Jerusalém, e logo foram de Tarso a Derbe através das portas da Silícia, dos desfiladeiros de Tarso e das planícies de Licaonia. Os missionários viajaram até ao norte na região da Galácia. Depois de alcançar a Misia, atravessaram-na sem parar para chegar a Alexandria. Paulo concentrou os seus esforços em metrópoles, de onde a fé se extenderia até cidades mais pequenas e zonas rurais. A missão de Corinto, pode ser considerada como típica, Paulo pregou na sinagoga todos os sábados. Finalmente, decidiu ir a Jerusalém e depois para Antioquia. As duas epístolas aos tessalonicenses foram escritas durantre os primeiros meses da estadia em Corinto.

O destino da teceira viagem de Paulo foi Éfeso, onde Aquila e Priscila o esperavam. Assim, depois de uma breve visita a Antioquia foi através da Galácia e da Frígia e através das regiões da "Ásia Central" chegou a Éfeso. Para prover seu sustento e não ser uma carga para os fiéis, teceu todos os dias durante muitas horas muitas tendas, o que não o impediu de pregar o Evangelho. Depois de uma estadia de dois anos e meio, ou talvez mais, em Éfeso partiu para a Macedónia e de lá para Corinto, onde passou o inverno. Sua intenção era de seguir rumo à Jerusalém na primavera, sem dúvida para passar a Páscoa, mas ao saber que os judeus haviam planeado atentar contra a sua vida, regressou à Macedónia.
Existem ainda ainda três factos notáveis: em Troade Paulo ressuscitou o jovem Eutico que tinha caído da janela de um terceiro piso enquanto Paulo pregava. Em Mileto pronunciou um discurso emotivo que arrancou as lágrimas aos anciãos de Éfeso. Em Cesareia o Espírito Santo antecipa pela boca de Agabo que Paulo seria preso, facto que não o fez desistir de ir a Jerusalém.
Quatro das maiores epístolas de São Paulo foram escritas durante a terceira missão: a primeira aos Coríntios desde Éfeso, por volta da Páscoa; a segunda aos coríntios desde a Macedónia durante o Verão ou Outono do mesmo ano; aos Romanos desde Corinto na Primavera seguinte; a data da epístola aos Gálatas é objecto de controvérsia.
Quando os judeus acusaram Paulo de ter introduzido no templo, foi preso em Cesareia. O governador quis enviá-lo para Jerusalém para que fosse julgado na presença dos seus acusadores, porém Paulo, que conhecia perfeitamente as artimanhas dos seus inimigos, apelou a César. A viagem do prisioneiro Paulo de Cesareia a Roma foi descrita por São Lucas com vivas cores e uma precisão que não deixam nada a desejar. Paulo chegou a Roma em Março. Ficou dois anos comletos numa casa alugada, pregando o Reino de Deus e a fé em Jesus Cristo com toda a confiança e sem proibição. Pensa-se que São Paulo foi absolvido das acusações. A Epístola aos Colossenses, aos Efésios e a Filemon foram enviadas juntas e utilizando o mesmo mensageiro: Tíquico. É controverso se a Epístola aos Filipensses foi anterior ou posterior a estas últimas.
Paulo foi um homem sólido, intransigente e impetuoso, e ao mesmo tempo, um irmão, um amigo para os seus companheiros.
Foi um gigante, um homem fora de série, e ao mesmo tempo, um homem como nós, que duvida, vacila, busca, sofre, se encoleriza, protesta contra a doença, contra a injustiça, contra a incompreensão. Um resistente, um homem de acção, mas também um homem de reflexão.
Um atleta que se esforça por ganhar a corrida, custe o que custar, e que nos quer arrastar a nós atrás dele. Um homem de fogo, entusiasta, devorado por uma imensa paixão.
É por todas estas razões e não só pelas suas qualidades de santo, ou de seguidor de Cristo, que o consideramos o nosso modelo de Fé.
Paulo foi pioneiro em ideias como a divulgação da mensagem a todo o mundo e não só ao povo eleito. Além disso foi um caminhante inesgotável, que assumiu pessoalmente a tarefa que propôs aos seus irmãos de comunidade.
Num momento da sua vida viu-se confrontado com dois caminhos: o terreno - que lhe pedia que servisse Roma, perseguindo os cristãos - e o espiritual - que lhe oferecia um caminho cheio de obstáculos e dissabores, mas que lhe dava a oportunidade de fazer uma descoberta do seu próprio interior.
Este último, por sua vez, levá-lo-ia à grande experiência de partilhar com diversas comunidades o encontro com a Fé. A sua virtude foi que, a partir da Fé, foi capaz de denunciar e de actuar, isto é, não se ficou pelo discurso, mas foi um exemplo de compromisso e testemunho com a verdade que pregava.
Para os grupos cristãos a figura de S. Paulo adquire uma dimensão e um significado especial pelo seu testemunho de fé. A sua grande força provinha da sua fé num Criador, mas também em si mesmo, na sua própria capacidade de realizar uma missão nesta terra. Com humildade, mas com firmeza, defendeu os seus ideais e tomou o caminho dos homens livres que são capazes de entregar a sua vida ao serviço dos outros.

São Paulo foi o escolhido para ser o patrono da IV secção por a sua vida ser um excelente exemplo de "caminho". Facilmente se encontram na sua caminhada de anúncio da boa nova as características do caminheiro ideal. Por ter cedo aprendido uma profissão, a de tecelão de tendas, por querer sair de casa para estudar e ser um fiel seguidor da religião em que acreditava...pela grande encruzilhada da sua vida a caminho de Damasco após a qual, iluminado pelo Espírito Santo, escolheu seguir Cristo e anunciar a Boa Nova. Paulo foi um caminhante inesgotável que assumiu pessoalmente o projecto ao qual se propôs perante os seus irmãos cristãos. A sua grande virtude foi a de anunciar e ao mesmo tempo actuar, o que quer dizer que ele não se deixou ficar pelas palavras, mas foi um exemplo de compromisso e testemunho das palavras que pregava.
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