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CNE - Junta Regional da Madeira

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Comemorações do 80º Aniversário
8 de Dezembro de 2008
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O Escutismo é um movimento de âmbito Mundial, fundado em 1907 por Lord Robert Stephenson Smith Baden-Powell e visa a formação integral da pessoa humana nomeadamente na infância e na juventude. Actualmente e passados 100 anos, existe em mais de 216 países e territórios. O Escutismo nunca parou de crescer desde a sua fundação em Inglaterra tendo duplicado o seu efectivo nos últimos 30 anos.


Pela sua natureza e por vontade fundacional do seu fundador, trata-se de um movimento que, na medida em que aponta para a dimensão integral da pessoa humana, tem implícita a dimensão religiosa, mesmo que se afirme como um movimento não confessional. Por isso mesmo é importante que “todo o escuta tenha uma religião”. Sendo o fundador de confissão cristã protestante, não admira que os valores preconizados neste projecto educativo e no seu método estejam muito perto dos valores do Evangelho. Foi por isso mesmo que rapidamente a Igreja se deu conta da importância do movimento escutista para a formação dos jovens cristãos e particularmente a Igreja portuguesa. É por isso que em Portugal temos duas associações: a dos Escuteiros de Portugal (A.E.P.) que se apresenta como aconfessional e o Corpo Nacional de Escutas (C.N.E) que é por definição e por opção fundacional um movimento da Igreja Católica. Como tal, apresenta algumas características particulares que apontaremos noutro lugar, mas não podemos deixar de ver essa dimensão católica do Corpo Nacional de Escutas ao abordar expressamente a “Missão do Escutismo”.

A Missão do Escutismo consiste em “educar através da acção”, pelo que se trata de um movimento que visa actividades essencialmente práticas, através das quais a criança e o jovem vão descobrindo o mundo, a sociedade dos homens e seus relacionamentos, seu lugar no mundo e a própria acção de Deus no mundo e na sociedade dos homens.
“A missão do Escutismo consiste em contribuir para a educação dos jovens, partindo de um sistema de valores enunciados na Lei e na Promessa escutistas, ajudando a construir um mundo melhor, em que as pessoas se sintam plenamente realizadas como indivíduos e desempenhem um papel construtivo na sociedade. Isto é alcançado envolvendo os jovens, ao longo dos seus anos de formação, num processo de educação não-formal”. Declaração aprovada na 35ª Conferência Mundial do Escutismo, realizada em Durban, África do Sul, em Julho de 1999.

Escutismo em números:
Mais de 40 milhões em todo o Mundo. Em Portugal o CNE conta com um efectivo de 60.000 escuteiros, dos quais cerca de 1.000 na Região da Madeira, distribuídos por dezasseis Agrupamentos distribuídos pelos seguintes Concelhos da Região:

  • Funchal (7): 216 – S. Pedro, 217 – Sé, 238 – São Roque, 420 - Imaculado Coração de Maria, 432 – Sagrada Coração de Jesus, 571 – Santo Amaro e 9032 – Álamos (em Formação);
  • Câmara de Lobos (2): 1082 – Santa Cecília e 1160 – Encarnação;
  • Ribeira Brava (1): 9033 – Ribeira Brava (em Formação);
  • Calheta (1): 1298 – S. Francisco Xavier;
  • Santa Cruz (3): 921 – Santa Cruz, 943 – Assomada e 1288 – Camacha;
  • Machico (1): 825 – Machico;
  • Porto Santo (1): 999 – Porto Santo
Actualmente existem contactos avançados com duas Paróquias: Canhas e Santana no sentido de ai nascerem dois novos Agrupamentos do Corpo Nacional de Escutas (CNE).
A Costa Norte da Madeira é aquela onde o Escutismo Católico ainda não está implantado, apesar de várias tentativas e da existência precária de um Agrupamento nos Concelhos do Porto Moniz e São Vicente, devido essencialmente à falta de Adultos Voluntários que queiram dedicar-se a este Movimento Juvenil.

Na Região da Madeira o CNE foi fundado, oficialmente, a 8 de Dezembro de 1928, com as primeiras promessas a serem realizadas na Igreja do Colégio. Por este Movimento na Madeira, passaram muitos milhares de crianças e jovens que, ao CNE, muito devem da sua formação humana e cristã e dessa forma contribuem com o seu exemplo e as suas competências para o sucesso da comunidade onde se inserem.

Assim, para celebrar de forma digna estes 80 anos do Movimento na Madeira, a Junta Regional preparou o seguinte programa:

PROGRAMA:

  • Dia 6/12
- Chegada do Chefe Nacional, Dirigente Carlos Alberto Pereira, à Madeira
- Reunião de trabalho com a equipa de Junta Regional da Madeira
- Visitas a vários Agrupamentos da Região entre eles:
  • 217
  • 432
  • 571
  • 1082

  • Dia 7/12:


21h00 – Fogo de Conselho Regional na Fortaleza do Pico
Com apresentação de pecas ou musicas dos vários Agrupamentos.

Classificação do Fogo de Conselho:

1082 - 1º Prémio

217 - 2º Prémio

921 - 3º Prémio

  • Dia 8/12:

08h30 – Concentração na Igreja do Colégio
09h00 – Eucaristia presidida por Sua Excelência Reverendíssima o Senhor Bispo
do Funchal, D. António Carrilho, incluindo Promessas de 18 novos
Dirigentes do Movimento
10h30 – Formatura geral no Largo do Colégio, presidida pelo Chefe Nacional do
CNE
  • Recepção das entidades religiosas, oficiais e militares
  • Chegada da Fanfarra
  • Hinos
  • Entrega de condecorações
  • Discursos: Chefe Regional; Chefe Nacional; Secretário Regional dos Recursos Humanos; Bispo da Diocese
  • Desfile de todos os filiados com Fanfarra até ao Parque de Santa Catarina
  • Plantação da Árvore dos 80 anos
11h30 – Início das Actividades para a I.ª; II.ª e III.ª secções
16h30 – Concentração no Convento de Santa Clara
– Lanche partilhado
17h30 – Encerramento da Actividade

Um pouco da História do CNE/Madeira:


Oficialmente tudo começou na manhã de 8 de Dezembro de 1928 na Igreja do Colégio. Foi lá que se realizaram as promessas dos primeiros elementos desta Associação, pertencentes ao Grupo Sénior n.º 5.
Com esta investidura solene ficou assim constituída a primeira Junta Regional: Comissário Regional: Capitão Eduardo dos Santos Pereira; Director: Padre Jorge de Faria e Castro; Secretários: Engº António Henriques de Araújo; Médico Dr. José da Cunha Tavares da Silva; Chefes da Escola de Instrutores: José Vieira da Luz Júnior, Jorge Gordon e Tenente Gregório Paiva da Cunha.
O primeiro Grupo fundado foi o nº 5 “Infante Dom Henrique” do qual era chefe António J. Caíres, Júlio Armando Figueira e João Viríssimo Nunes, José Vieira da Luz, José Damião Gomes Henriques, Humberto O. Pereira, João Eurico Abreu Gomes, Fernão Henriques Cunha, António Soares Passos Júnior, Jaime Ramos, Vasco Gonçalves, António Figueira de Sousa, Luiz Freitas Ferraz, João Soares Júnior, Carlos de Sena Freitas, Alberto Figueira Gomes, Mário Aurélio Rodrigues, António Melim, Francisco Deus Abreu Gomes, Carlos Gomes Henriques, João Nóbrega Santos Pontes, Carlos Armando Figueira, António Tiburcio Figueira, João de Freitas Pestana, José Fernandes Relva, Armando Machado e João Semião Santos, João Sabino.
Desde então foram surgindo outros grupos como o n.º 55 na Freguesia de S. Roque, que foi fundado na década de 40. A sede deste Grupo era numa dependência da própria Igreja. O clã n.º 72, fundado igualmente na década de 40 tendo à frente o dirigente Aurélio Palermo cuja Sede era na Rua do Seminário no Funchal e Freguesia da Sé - Funchal. O grupo n.º 76 - São Gonçalo, com patrulhas em Porto Santo e Caniço, o n.º 88 em Santa Maria Maior – Socorro, surgindo também as Alcateias que eram unidades destinadas apenas a crianças com idades compreendidas entre os 6 e os dez anos. Os denominados Grupos destinavam-se a jovens das idades de 11 aos 16 anos e os Clãs destinados a jovens de idades compreendidas entre os 17 e os 25 anos de idade desde que solteiros sendo denominados de Caminheiros. O n.º 148 em S. Pedro - Funchal em 1962. Desde então os Grupos foram, por alteração dos estatutos e de nova regulamentação, constituídos em Agrupamentos aglutinando assim a Alcateia, o Grupo e o Clã dentro da mesma freguesia. Portanto que o Grupo n.º 5 é hoje conhecido como o Agrupamento 215.
Em 1940 regista-se na História do Escutismo Madeirense uma carta de Baden Powell assinada pelo próprio e dirigida ao Chefe do Grupo n.º 88, Adelino Rodrigues, cujo teor aqui se reproduz. Já em 1931 B-P havia passado pela Madeira onde foi recebido e aclamado pelos Escuteiros de então.
Novos Agrupamentos como os Escuteiros Marítimos que lhes foi atribuído o nº 217 – de realçar que o Escutismo Marítimo na Região teve inicio em 1953, tendo nascido no seio do Clã n.º 72, uma patrulha marítima onde faziam parte os Caminheiros Victor Caíres, Cruz, Sílvio, Maurílio e Sérgio Alves – o n.º 217, 235, 238, 420, 432, 571, 825.
O Escutismo até 1965 era apenas para jovens do sexo masculino mas, as jovens raparigas manifestavam insistentemente desejo de serem elas também Escuteiras e partilhar das mesmas actividades que os rapazes. Embora tenha havido grande resistência por parte da Associação e informando-as de que havia uma Associação destinada às raparigas como por exemplo a A.G.P - Associação de Guias de Portugal mas as jovens não aceitaram pois desejavam estar lado a lado com os rapazes e praticar actividades de igual para igual. Havia alguns receios na época por parte das chefias, pois era necessário para o efeito preparar Dirigentes para que a co-educação se pudesse tornar realidade e o facto é que foi tanta a persistência das meninas, que provocou a admissão de raparigas.
Muitos jovens passaram pelo CNE na Madeira, muitos ainda cá se encontram neste momento, e muitos mais virão a seguir, dando continuidade ao trabalho iniciado há oitenta anos.
O último Jamboree da Madeira foi realizado no ano de 1994.  
A Região Escutista da Madeira abrange os limites da Diocese do mesmo nome, ou seja todo o arquipélago de que se destacam as ilhas da Madeira e Porto Santo, as duas que são habitadas.
Facto digno de relevo foi a visita, em 9 de Julho de 1931, do Chefe Mundial do Escutismo Lord Robert Baden-Powell, de passagem pela Madeira. Recebido pela chefia regional, manifestou-lhe as melhores impressões do escutismo local, bem elucidativas na sua mensagem que abaixo se transcreve:

“Fiquei hoje encantado com a apresentação e a disciplina dos escuteiros da Madeira e desejo-lhes todos os sucessos e «bom acampamento» ”.

Merece também registo especial a visita de Humberto Martin, Chefe do Bureau Internacional de Londres, a quem se deve a representação do CNE no III Jamboree Internacional de 1933, em Gödöllo, Hungria, feita exclusivamente por escuteiros madeirenses.
Honra-se também o CNE de ter sido louvado pelos magníficos serviços que prestaram os Escutas madeirenses no Hospital de Sangue, instalado na Misericórdia do Funchal, em 1932, aquando da “ Revolução das farinhas” que pôs a ilha em sobressalto.

“… Mas o melhor meio para alcançar a felicidade é contribuir para a felicidade dos outros. Procurai deixar o mundo um pouco melhor de que o encontrastes e quando vos chegar a vez de morrer, podeis morrer felizes sentindo que ao menos não desperdiçastes o tempo e fizestes todo o possível por praticar o bem.” In: última mensagem do Fundador.
*          *          *

Solicita-se aos Ex.mos Órgãos de Comunicação Social da RAM, a melhor divulgação e cobertura jornalística deste programa de comemorações, nesta data tão importante para o nosso Movimento.









Funchal, 4 de Dezembro de 2008
Com os melhores cumprimentos e,
Sempre Alerta para Servir

O Chefe Regional do CNE/Madeira
Carlos Gonçalves